& o que orienta o trabalho clínico
Se você está pensando em iniciar um processo terapêutico, seja comigo ou acompanhando o que compartilho por aqui, é importante alinharmos as expectativas.
A psicoterapia, na forma como compreendo e conduzo, não é apresentada como uma lista de benefícios.
Você provavelmente já viu por aí promessas como:
“aumentar a autoestima”, “aprender a dizer não”, “se conhecer melhor”.
Esses efeitos podem, sim, aparecer ao longo de um processo analítico.
Mas eles não são o eixo central do trabalho.
Então, qual é o objetivo?

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Na psicanálise, o que orienta o trabalho clínico é a construção estrutural: o que chamamos de crescimento mental.
Não se trata de mudanças rápidas ou superficiais, mas de transformações psíquicas que vão alterando, pouco a pouco, a forma como você se relaciona consigo mesmo, com os outros e com a própria vida.
Esse crescimento envolve diferentes dimensões da experiência humana.
Abaixo, compartilho alguns dos critérios que ajudam a reconhecer quando ele está acontecendo, e que também orientam a forma como trabalho na clínica.
(Baseado no livro “Manual de técnica psicanalítica”, de David E. Zimerman.)
O que caracteriza o crescimento mental?
1-Mudança na qualidade das relações
O processo começa dentro. À medida que suas relações internas se transformam, ou seja, a forma como você se percebe, se trata e se escuta, suas relações externas também tendem a se modificar.
2- Integração de partes de si
Ao longo da vida, todos nós afastamos ou reprimimos aspectos de quem somos.
O crescimento mental envolve recuperar e integrar essas partes, que muitas vezes aparecem projetadas nos outros ou permanecem ocultas.
3- Maior capacidade de lidar com perdas e frustrações
Isso inclui suportar frustrações, atravessar perdas e fazer lutos, reconhecendo, inclusive, a própria participação nas situações vividas.
4- Desenvolvimento da responsabilidade
Com isso, surge também a capacidade de considerar o outro e de reparar possíveis danos, tanto em relação às outras pessoas quanto a si mesmo.
5- Redução de expectativas irreais
Muitas exigências internas vêm de um “eu ideal” impossível de alcançar.
Crescer mentalmente implica flexibilizar essas expectativas e se relacionar com limites de forma mais realista.
6- Fortalecimento das funções do eu
Há um ganho de autonomia psíquica, que se reflete em um uso mais consistente de funções como: pensamento, percepção, linguagem, comunicação, ação e criatividade.
7- Aceitação da dependência como parte da vida
Diferente do que muitas vezes se acredita, depender do outro não é sinal de fraqueza.
É uma condição humana básica, e reconhecê-la faz parte do amadurecimento.
8- Capacidade de simbolizar pela linguagem
Com o tempo, experiências que antes eram expressas apenas por atos ou sintomas passam a ser elaboradas por meio da palavra.
9- Construção de autenticidade e autonomia
A partir de uma maior liberdade interna, torna-se possível fazer escolhas mais alinhadas com quem se é e não apenas com expectativas externas.
10- Capacidade de se relacionar com o outro como ele é
Isso inclui reconhecer o outro como alguém separado, diferente e inteiro, e ainda assim, sustentar sentimentos ambivalentes dentro dessas relações.
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Um processo terapêutico, quando levado a sério, não costuma ser simples, rápido ou facilmente traduzido em frases prontas e de efeito.
Ele é, muitas vezes, menos “instagramável”.
Mas é justamente esse tipo de trabalho que possibilita algo mais consistente:
viver com mais liberdade interna, sustentar quem você é e construir relações mais verdadeiras.
Se isso faz sentido para você, pode fazer sentido seguir me acompanhando.

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